8 de outubro de 2016

Construção de bonecas Abayomi: cultura afrobrasileira como possibilidade de transformar realidades

CONSTRUÇÃO DE BONECAS ABAYOMI: CULTURA AFROBRASILEIRA COMO POSSIBILIDADE DE TRANSFORMAR REALIDADES

Joyce Suellen Lopes Dias de Paula
Regina Maria Estonlho
RESUMO:

A boneca Abayomi, representação de felicidade e amuleto que pode ser entregue a quem se deseja alegria, é um elemento da cultura afrobrasileira. Neste minicurso, buscamos contribuir para a formação de professores por meio da construção dessas bonecas, utilizando-nos de sobras reaproveitadas de pano, e da reflexão crítica sobre sua história. Dessa forma, acreditamos ser possível proporcionar uma “virada epistemológica” para o Sul (MOITA LOPES, 2013), ou seja, uma apropriação de saberes periféricos que podem auxiliar no processo de transformação do global pelo local, como a Linguística Aplicada Crítica propõe. Também acreditamos que, assim, podemos refletir criticamente sobre como o brincar – compreendido como meio de ir além de si mesmo e reelaborar, criativamente, experiências vividas (NEWMAN; HOLZMAN, 2014) – possibilita a construção de modos de ser e agir no mundo. O curso estrutura-se à luz da Teoria da Atividade Sócio-Histórico-Cultural – TASCH (VYGOTSKY, 1934; LEONTIEV, 1977; ENGESTRÖN, 1999; LIBERALI, 2009), do brincar performático (NEWMAN; HOLZMAN (2014), e da lei N° 10.639 de 09 de janeiro de 2003 – que estabelece as diretrizes e bases da educação nacional para incluir no currículo oficial da Rede de Ensino a obrigatoriedade da temática “História e Cultura Afrobrasileira”. Adota a perspectiva metodológica de Pesquisa Crítica de Colaboração – PCCol (MAGALHÃES, 2011), uma vez que busca avançar fronteiras e transformar contextos e práticas dos educadores por meio da colaboração, e irá: 1) contextualizar e apresentar a história da boneca Abayomi, que faz parte da cultura africana trazida para o Brasil; 2) mostrar como o brincar possibilita a construção de repertórios identitários que trazem formas de lidar com situações de adversidade, como o cativeiro; 3) produzir colaborativamente bonecas Abayomi, como mães faziam nos navios negreiros; 4) brincar de forma performática em grupos, usando a boneca Abayomi. Nossa expectativa é que este minicurso contribua para o fortalecimento das relações étnicorraciais na escola e sensibilize os professores para a necessidade de trazer saberes locais que ajudem a preparar alunos para “a vida que se vive” (MARX; ENGELS, 2006, p. 26).

PALAVRAS-CHAVE: Formação de professores. Cultura Afrobrasileira. Brincar.

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