9 de setembro de 2016

Quem somos

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O Grupo de Pesquisa Linguagem em Atividades no Contexto Escolar (LACE) foi fundado em 2004, na PUC-SP, com a liderança de Cecília Magalhães e Fernanda Liberali. Atualmente, envolve os Programas de Pós-graduação em Linguística Aplicada e Estudo da Linguagem e de Educação: Formação de Professores, além de programas e departamentos de outras instituições tais como: UEL, UNIFESP, UFPE, UFPI, entre outros.

O grupo tem como focos principais a formação de educadores, gestores e alunos crítico-reflexivos e o desenvolvimento de pesquisas de intervenção crítico-colaborativas em contextos escolares multilíngues. Seus objetivos específicos envolvem: a) investigar os modos de constituição de sujeitos e comunidades, de produção de sentidos e significados e as formas de organização de Atividades no contexto escolar e b) desenvolver e aprofundar a discussão dos modos como a linguagem se materializa nesses contextos e o quadro teórico-metodológico para o trabalho de intervenção.

A base teórico-metodológica do grupo está apoiada nas perspectivas do Monismo de Spinoza e do Materialismo Histórico-Dialético de Marx e Engels, que sustentam a Teoria da Atividade Sócio-Histórico-Cultural (VYGOTSKY, 1934; LEONTIEV, 1977; ENGESTRÖM, 1987). Nesse quadro, estudam-se as Atividades em que os sujeitos estão em interação com outros em contextos culturais determinados e historicamente dependentes. Esses sujeitos são entendidos como situados no mundo, agindo e fazendo história, em outras palavras, “na vida como ela é” (Marx; Engels, 1845-46/ 2006-26). Ademais, focaliza uma perspectiva dialógica da linguagem que tem como base sua compreensão como um fenômeno social, histórico e ideológico, ou seja, lugar de interação humana (BAKHTIN, 1929), constituída por diferentes forças que mostram significados e vozes, marcados linguisticamente no discurso de forma multimodal e argumentativa.

A metodologia de pesquisa que apoia a construção e o desenvolvimento de pesquisas no grupo LACE – a Pesquisa Crítica de Colaboração (PCCol) – é estruturada por pesquisas de intervenção formativa, voltadas à transformação intencional de contextos, ao envolvimento coletivo na busca por soluções compartilhadas, à experimentação com a crise como base de desenvolvimento e à constituição de agentes que se organizam como um coletivo (MAGALHÃES, 2011). Essas intervenções incluem ainda a criação de realidades escolares que efetivamente promovam melhores condições de vida para todos os envolvidos.

Assim, o grupo atua na busca por transformar as condições de existência dos envolvidos nos contextos de pesquisa. Desse modo, tornam-se centrais questões éticas peculiares ao contexto sócio-histórico-cultural e à criação de um espectro de possibilidades a partir dos quais cada sujeito faz suas escolhas, dentre a diversidade de modos de conhecimento, que se relacionam, cruzando fronteiras e criando novos saberes e fazeres (SANTOS, 2008; PEREZ-GOMES, 1998), promovendo a “eliminação de privações de liberdade que limitam as escolhas e as oportunidades das pessoas de exercer ponderadamente sua condição de agente” (SEN, 2000, p. 10).

Algumas das temáticas mobilizadas pelos participantes do grupo incluem: a) as Atividades como formas de transformação da ação do ser humano na vida; b) a pesquisa como uma forma de emancipação pela perspectiva de ação no/para/sobre/com o mundo; c) as questões de formação crítica em contextos superdiversos e multilíngues, em que a organização da linguagem permite a constituição de Cadeias Criativas (LIBERALI, 2006) como espaço de formação em que os participantes geram novos significados, criando uma multiplicidade de possibilidades de participação no mundo.

Como apontam Anca e Aragón (2014, p. 2), o grupo se realiza como uma equipe de pessoas que se sentem emocionalmente conectadas, compartilham um interesse mútuo e organizam diferentes aspectos de suas vidas pessoais e profissionais em conjunto, com a intenção de atingir um objetivo comum, um interesse comum ou um propósito compartilhado. No desenvolvimento de projetos, pesquisadores do grupo LACE assumem a colaboração crítica como uma forma de agir que acredita que as opiniões de todos merecem ser apresentadas, sustentadas e discutidas, não havendo hierarquia entre as vozes dos estudantes, professores e coordenadores (LIBERALI et al., 2015). Cada participante tem alguma responsabilidade na totalidade que pode ser alcançada.

Desde seu início, o grupo LACE foi muito ativo no desenvolvimento de projetos coletivos que, atualmente, são de caráter internacional, como os projetos Digit-M-Ed/Hiperconectando Brasil e o Projeto Leitura e Escrita nas Diferentes Áreas (LEDA).